A música em nós e por nós!

A Música e o Mundo!

O que seria do Mundo sem música? Difícil pensar num Mundo sem música, pois mesmo sem as músicas que nós humanos fazemos, existe a música do próprio Mundo, as músicas da natureza… sim, estou falando do som das chuvas que muitos dizem ser calmante para dormir, o som dos cantos dos pássaros que nos encantam pela maestria de suas entonações, e muitos outros sons da natureza.

musica

O questionador.

Como já citado na página de divulgação deste blog – no Facebook e aqui mesmo – eu, o autor, desejo criar uma ponte entre você, leitor curioso, e seus questionamentos, me colocando como pesquisador do assunto que deseja conhecer. Nesse sentido, devo obrigatoriamente citar uma pessoa – muito especial – que foi quem sugeriu fazer esta postagem sobre o efeito da música em nós: o meu muito estimado, amado e futuro DJ (quem sabe né?!)… meu filho!

A necessidade da música.

O renomado psicólogo, linguístico e cientista cognitivo canadense Steven Arthur Pinker disse certa vez que ninguém jamais cogitou a necessidade de se construir um robô e fazê-lo apreciar música, citação esta muito sugestiva para dizer que a música não deve ser essencial para a sobrevivência humana em longo prazo. Tal pensamento de Steven é sabidamente relacionado à sua crítica a uma ideia das origens evolucionárias da linguagem, onde muitos acreditam que a cognição linguística tenha evoluída a partir da cognição musical. Bem, opinião é opinião!!

Desde quando?

Na edição de agosto de 2001 da revista Discover Magazine, numa reportagem intitulada “O mistério genético da música” (inclusive onde se encontra citada a frase de Steven, é ele na foto da imagem a seguir!) de autoria de Josie Glausiusz & Greg Breining, existem dois trechos muito interessantes que dizem:

discover

“Em algum momento entre 43.000 e 82.000 anos atrás, um Neanderthal vivendo em uma caverna onde hoje é a Eslovénia moldou uma flauta no fêmur de um urso. Instrumentos mais simples como chocalhos e tambores provavelmente o precederam, e o cantar começou provavelmente ainda mais cedo – talvez tão antigamente quanto 250.000 anos atrás.

Por quê? Por que a música se espalhou para todos os países e todos os povos do mundo? Por que a música é usada para despertar exércitos, louvar a Deus, e enterrar os mortos? Charles Darwin, por exemplo, pensava que música ajudava os seres humanos a encontrar companheiros. Em seu livro de 1871, The Descent of Man, ele sugere que homens e mulheres primitivos, incapazes de expressar seu amor em palavras, “se esforçaram para encantar um ao outro com notas musicais e ritmo”, como fazem os pássaros. Mas a prova ainda está faltando.” (Vide original demarcado na imagem acima).

Bem, a prova pode estar faltando, mas não tem como negar que dos tambores de nossos ancestrais há milhares de anos para os serviços de streaming ilimitados de hoje em dia, a música é uma parte importantíssima das nossas experiências sensoriais, e que experiência! Tanto que muitos pesquisadores discutem sobre os possíveis benefícios terapêuticos e de estímulo de humor da música por séculos.

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A Música e seus efeitos.

Num trabalho publicado na PLos ONE em 14 de junho deste ano, intitulado “Experiências Memoráveis com Música Triste – Razões, Reações e Mecanismos de Três Tipos de Experiências”, Tuomas Eerola & Henna-Riikka Peltola, pesquisadores da Universidade Jyväskylä na Finlândia, relatam que mesmo músicas ‘tristes’ provocam nos ouvintes prazer e conforto, enquanto que para algumas pessoas, a música triste causou sentimentos negativos de profunda ‘dor’. A pesquisa foi realizada através da aplicação de três questionários a 2436 pessoas no Reino Unido e na Finlândia, enfatizando nas emoções e experiências memoráveis associados às músicas tristes ouvidas pelos participantes, sendo que a maioria das experiências relatadas foram positivas. 

Num comunicado à imprensa, por ocasião da publicação da pesquisa, o Prof. Dr. Tuomas Eerola, que além de associado à Universidade de Jyväskylä é também professor de cognição musical na Universidade de Durham do Reino Unido, disse: “Os resultados nos ajudam a identificar as formas como as pessoas regulam seu humor com a ajuda da música, bem como a reabilitação musical e musicoterapia podem tocar nesses processos de conforto, alívio e prazer” (Vide original demarcado na imagem abaixo).

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O estudo também sugere como podemos encontrar as razões certas para quando ouvir e não ouvir músicas tristes. Modestamente, achei o trabalho muito interessante, ainda mais eu que adoro ouvir música que muitos consideram tristes… e sou de muito bom humor!

Outro estudo anterior a este, publicado em agosto de 2013 no Journal of Consumer Reseacrh, intitulado “Relações Interpessoais e Preferências para Humor – Congruência em Experiências Estéticas”, relata (o que parece óbvio para muitos, e para mim também!) que as pessoas tendem a preferir a música triste quando elas estão enfrentando uma perda interpessoal profunda, como o fim de um relacionamento. Os autores, em um depoimento à imprensa da Universidade de Chicago, sugeriram que a música triste pode fornecer um substituto para o relacionamento perdido, sendo que eles compararam essa predileção musical como a preferência da maioria das pessoas por um amigo empático, aquele alguém que realmente entenda o momento que você esteja passando após a perda de um relacionamento. Pois é, olha aí, música consola… quem nunca!

Chega de tristeza, falemos da alegria que a música nos proporciona, afinal da tristeza queremos distância… de preferência bem longe!

Um estudo de 2012 publicado em 2013 no The Journal of Positive Psychology, intitulado “Tentar ser mais feliz realmente pode funcionar: Dois estudos experimentais”, relata que as pessoas que ouvem músicas otimistas podem melhorar seus humores e aumentar a felicidade em apenas duas semanas. No estudo, os participantes foram instruídos a tentar melhorar seus humores, e o resultado da pesquisa mostrou que eles conseguiram quando ouviram algumas músicas movimentadas e estimulantes de Aaron Copland, em oposição às músicas mais tristes de Ígor Stravinsky. Relatam os autores do trabalho que um humor mais feliz traz outros benefícios além da aparente ‘sensação’ boa causada pela música. Em um comunicado à imprensa, a principal autora do estudo, a Dra. Yuna Ferguson, diz que a felicidade tem sido associada a uma melhor saúde física, maior renda e maior satisfação com o relacionamento, sendo que a música parece ajudar nesse ganho de felicidade, portanto… vamos ouvir música estimulantes e que nos alegram… alegria já!!

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Musicoterapia… funciona?

A Associação Americana de Musicoterapia (AMTA), relata que programas de musicoterapia podem ser projetados para auxiliar no controle do estresse, da melhora da memória e do alívio a dor. Alívio da dor? Sério? Tem pessoas que realmente não acreditam que a música pode ajudar a lidar com a dor física… como já disse, questão de opinião, mas pesquisas mostram uma ligação clara muito plausível nesse aspecto, e eu acredito.

Uma revisão publicada em agosto de 2015 na The Lancet relata que pacientes que ouviram música antes, durante ou após uma cirurgia, sentiram menos dor e ansiedade, em comparação com pacientes que não ouviram música, sendo ainda que aqueles que ouviram música, nem sequer precisaram de tanta medicação para a dor pós-operatória. Na revisão, os investigadores analisaram dados de 73 ensaios diferentes, envolvendo mais de 7.000 pacientes. Os pacientes que experimentaram maior redução da dor e menor necessidade de analgésicos, foram os que escolheram a  música a seu próprio gosto. A autora principal do estudo, Dr. Catherine Meads, da Universidade de Brunel no Reino Unido na época do estudo, disse num comunicado à imprensa que “A música é uma intervenção não-invasiva segura, barata que deve estar disponível para todos os submetidos à cirurgia” (Vide original demarcado na imagem abaixo).

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Em outra revisão publicada em março de 2015 na World Journal of Psychiatry, é relatado que a musicoterapia pode ser um tratamento eficaz para distúrbios do humor relacionados com condições neurológicas como a doença de Parkinson, a demência, acidente vascular cerebral e esclerose múltipla. Na revisão, após ser analisado 25 estudos clínicos, os pesquisadores concluíram que a musicoterapia é válida para reduzir potencialmente a depressão e ansiedade, bem como para melhorar o humor, auto-estima e a qualidade de vida. Os pesquisadores também observaram que não houve efeitos colaterais negativos relatados em qualquer um dos ensaios, permitindo concluir que a música é um tratamento de baixíssimo risco.

Se ouvir música pode trazer benefícios para a saúde, imagina quem compõe música, é uma terapia muito eficaz.

Nesse sentido, uma orquestra exclusiva para pessoas com demência ajudou a melhorar o humor e aumentar a auto-confiança, conforme pequisa realizada por pesquisadores do Instituto de Demência da Universidade de Bournemouth (BUDI) em Dorset no Reino Unido. A orquestra é um dos vários projetos de investigação do BUDI que procura demonstrar como as pessoas com demência ainda podem aprender novas habilidades e se divertirem. Num estudo, 8 pacientes com demência e 7 cuidadores participaram do projeto, juntamente com estudantes e músicos profissionais. A Dra. Anthea Innes, chefe da BUDI, na época do estudo, disse numa entrevista “A música toca a todos, de alguma forma, seja ouvindo ou tocando”. Innes também disse que a orquestra é um projeto de melhoria de vida para todos os envolvidos, que o projeto desafia as percepções negativas do público frente as pessoas diagnosticadas com demência. “Trabalhar em conjunto para produzir uma saída de colaboração é uma maneira poderosa para trazer para fora o melhor nas pessoas – não apenas em termos de suas habilidades musicais, mas a sua capacidade de comunicação, amizades, cuidados e apoio para o outro”, acrescentou. (Vide originais demarcados na imagem abaixo).

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O efeito depende de você!

Estilos de música existem aos montes, ninguém duvida e, a cada dia, podemos descobrir novas músicas que passam a ficar no nosso TOP 10 de preferência.

Pesquisas demonstram que ouvir músicas novas pela primeira vez, estimula o centro de recompensa do cérebro até um ponto, inclusive, que pode fazer você comprar ou não a música. Os pesquisadores afirmam que quanto mais forte for a resposta das partes sensoriais, emocionais e executivas do cérebro, é mais provável que você possa sacar dinheiro da sua carteira. Olha! Não que você precise da ciência para lhe dizer porque você ama esta ou aquela música, mas a ciência com suas pesquisas então aí para isso também!

Um estudo publicado em abril de 2013 na revista Science (olha só, revista TOP para impressionar você, eheheh!), informa que a atividade no núcleo accumbens, o centro de recompensa do cérebro, ajuda a prever o quanto você está disposto a pagar por uma música nova.

Outras pesquisas já demostraram que ouvir músicas que gostamos estimula a produção de dopamina, uma das substâncias químicas produzidas no cérebro para nos fazer sentir bem e motivados para algo, a mesma responsável pela motivação de quando queremos comer ou fazer sexo… ‘Eita nóis!’ Embora não seja totalmente compreendido, sabe-se que a dopamina desempenha um papel importante no prazer, na emoção e no vício e, como certas músicas podem estimular a produção dessa substância, é nesse sentido que muitos afirmam que a musicoterapia seja eficaz como uma terapia complementar no tratamento de pessoas com depressão… faz todo sentido!

Na pesquisa da Science de abril 2013, citada anteriormente, realizada por pesquisadores da Universidade McGill, em Montreal no Canadá, 19 voluntários foram examinados por ressonância magnética funcional (fMRI), para ‘escanear’ a atividade cerebral em tempo real. No estudo, os voluntários ouviram trechos de 60 músicas dos mais variados estilos, sendo simultaneamente perguntado o quanto de dinheiro os voluntários estariam dispostos a gastar para comprar cada música. Os pesquisadores verificaram que quanto mais uma pessoa estava disposta a pagar por uma música, mais estimulada estava o centro de recompensa do núcleo accumbens e, surpreendentemente, em áreas relacionadas a ‘armazenagem’ das informações sobre músicas que ouviram no passado. Esses dois resultados simultâneos devem ser os principais fatores que fazem com que nosso gosto musical seja muito mais que pessoal. Como afirmou a pesquisadora chefe, Dra. Valorie Salimpoor, “Em outras palavras, a maneira que as várias partes do cérebro reagem à música depende dos tipos de música que estamos expostos ao longo de nossas vidas, e, portanto, é uma resposta altamente individual.” (Vide original demarcado na imagem abaixo).

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FICA A DICA: quando você tentar explicar por que você prefere Bossa Nova a Rock, muito do que foi dito aqui vai te ajudar. Agora me de licença que vou estimular meu humor ouvindo o que gosto!!

final

BOA MÚSICA A TODOS!!!

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