Afogamentos incomuns: um alerta ‘viral’ com bebês e crianças pequenas.

Alerta! Alerta!

Quando se trata de crianças e bebês, diz o ditado popular que “todo cuidado é pouco” e, ultimamente, anda ‘pipocando’ nas redes sociais um alerta aos pais com bebês e crianças pequenas sobre o que muitos nunca haviam ouvido falar: afogamento secundário e afogamento seco. Você sabe o que são? Não? Já leram sobre esse alerta? Não? Então vou explicar ‘tin tin por tin tin’, o contexto e os fatos.

alerta

Me chamou a atenção

Foi a pouco tempo – menos de 2 semanas – que vi no Facebook o alerta que dizia: “Menino morre uma hora depois de tomar banho. Todos os pais devem ver isto!”. O caso é de um menino chamado Johnny, filho de uma mulher chamada Cassandra, mas confesso que a imagem anexada à notícia não me agradou, aquelas montagens recortadas e de mal qualidade, típicas de hoax, mas tudo bem, cliquei para ler e pude constatar que se tratava de afogamento secundário após banho na piscina.

verdade

Resolvi me aprofundar no caso, saber das pessoas envolvidas e, para variar, a imagem não condiz com as pessoas citadas. Não se acha imagem da mulher da montagem não associada ao menino da montagem, mas a do menino da imagem sim. O menino da montagem é Luca Albanese, uma criança italiana de 2 anos que ficou infelizmente ‘famosa’ por ter morrido após o pai tê-la esquecido no carro em 6 de junho de 2013 na cidade italiana de Piacenza. O que importa é que, independente das imagens não serem condizentes com o caso do afogamento, o acontecimento é real e os nomes estão corretos.

Entendendo o caso

O caso verdadeiro se refere a um menino de 10 anos chamado Johnny Jackson, filho de Cassandra Jackson, moradores da cidade de Goose Creek, Carolina do Sul/EUA. Johnny foi vítima, no início de junho de 2008, do que a mídia erradamente noticiou como afogamento seco (dry drowning), sendo na verdade um afogamento secundário (secondary drowning).

johnny
Clique aqui para ver o vídeo

Em algum momento durante o período em que estava na piscina, Johnny inspirou um pouco de água em seus pulmões. Inicialmente ele não mostrou quaisquer sinais imediatos de desconforto respiratório, mas o menino teve um leve incidente na piscina, tendo se sujado levemente. Johnny, sua irmã e sua mãe voltaram para casa juntos. “Caminhamos para casa. Ele andou comigo.”, revelou a mãe de Johnny, ainda tentando entender como seu filho poderia ter morrido. “Eu o banhei e ele me disse que estava com sono.”

cassandra
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Passado um breve tempo, a mãe de Johnny entrou no quarto do menino para ver como ele estava. “Caminhei até a cama, o rosto dele estava literalmente coberto por uma espuma branca esponjosa”, disse ela. “E eu gritei.” Uma amiga da família, Christine Meekins, que estava de visita na casa, foi ver o que estava errado. “Eu puxei o braço dele e disse: Johnny! Johnny!” Relatou Meekins à NBC. “Não houve resposta. Eu abri um de seus olhos e eu soube no meu coração que era algo muito ruim.” Johnny foi levado às pressas para um hospital local, mas era tarde demais, o menino tinha se afogado após considerável tempo de ter saído da piscina.

Conforme informado pelo Centro de Controle de Doenças, cerca de 3600 pessoas morreram afogadas em 2005. Cerca de 10-15% dessas mortes foram classificadas como afogamento secundário, que podem ocorrer até 24 horas depois de uma pequena quantidade de água ser aspirada para dentro dos pulmões. Em crianças pequenas e bebês isso pode acontecer, inclusive, durante um banho. Alarmante? Claro que sim! Mas os cuidados não são difíceis para se seguir!!

Os afogamentos seco e secundário

Os afogamentos seco e secundário são atípicos, ocorrendo após a saída da piscina ou banho, sendo muito diferentes do afogamento propriamente dito.

No afogamento seco, uma pequena quantidade de água é aspirada pelo nariz ou boca, provocando um espasmo nas vias respiratórias, podendo ocasionar dificuldades em respirar e até mesmo asfixia.

No afogamento secundário a situação é diferente, mas quase como no afogamento convencional, em que a água é aspirada para os pulmões. Entretanto, no afogamento secundário, somente uma pequena quantidade de água é aspirada até os pulmões, irritando-os, provocando inflamação e inchaço no decorrer do tempo pós aspiração. O que ocorre é que os pulmões começam a perder a capacidade de fazer as trocas gasosas, assim o nível de oxigênio começa a cair e a vítima passa a apresentar vários sintomas gradativos.

piscina

Os sintomas e cuidados

Os sintomas desses afogamentos atípicos não são obviamente alarmantes, e provavelmente os pais podem não testemunhar os filhos inalando ou engolindo água, o que dificulta no despertar da atenção para possíveis sinais.

Sinais importantes que os pais devem sempre ter o costume de observar após a saída de seus filhos da piscina são: a dificuldade em respirar, cansaço extremo, confusão, tosse insistente, dor no peito e ansiedade. Estes são indicativos de possível redução do fluxo de oxigênio para o cérebro da criança. É preciso estar atento também para vômitos, sonolência extrema e quaisquer alterações físicas ímpares, como lábios azulados e pele pálida.

nota

No caso de acidente clássico, em que a criança se afoga, após socorrida, independente do grau do acidente, tendo havido necessidade ou não de primeiros socorros com massagem cardiorrespiratória, seja como for, é recomendável monitorar a criança por algumas horas, de preferência que ela seja levada a um hospital para ficar em observação especializada. A criança pode aparentemente estar perfeitamente normal após um incidente clássico, mas não deixe de ficar atento por algumas horas frente a qualquer alteração no comportamento e estado da criança, e mais uma vez, impreterivelmente, leve-a ao hospital.

A boa cartilha para os pais é simples e direta: é preciso ser sempre vigilante, fornecendo supervisão constante e orientando as crianças quando na água; tomem todas as precauções adequadas em piscinas, lagos e principalmente no mar; ensine o mais cedo possível sobre a segurança dentro da água e, de preferência, sendo possível faça com que as crianças aprendam a nadar o mais cedo que puder, proporcione a elas aulas de natação. Existem programas de natação para os pequeninos já a partir dos 6 meses de idade, no qual eles são ensinados nas habilidades básicas dentro da água, como produzir bolhas por sopro, controlar a respiração, chutar e o mais importante, boiar. Quais pais não ficariam orgulhosos de seus pequenos fazendo isto e isto?

bebe-boiando

Motivo de pânico? NÃO! Atenção? Sim!

Afogamentos atípicos, como os descritos aqui, não são nenhum ‘evento’ novo que surgiu de repente nos últimos tempos para nos deixar em pânico. Não absorva a notícia como uma espécie de tormento preocupante. Esses eventos são mais alguns dos inúmeros tipos de incidentes com danos físicos que podem ocorrer com qualquer um, não somente crianças e bebês pequeninos.

atencao

Esses eventos também não são os únicos do tipo de incidentes desconhecidos da grande maioria das pessoas, existem muitos outros. Podem ficar certos que mais cedo ou mais tarde, outro alerta com efeito semelhante ao desses afogamentos irão surgir, e assim poderá ser pelo fato de um específico incidente atípico ocasionar uma morte trágica noticiada na mídia e, na velocidade das informações atualmente, irá com certeza ‘viralizar’ e chamar muita atenção, mas não para causar pânico… para alertar, pois “todo cuidado é pouco”.

cuidado

P.S.: para aqueles da área médica, caso queiram aprofundar sobre a patologia do afogamento secundário, recomendo o seguinte artigo científico intitulado “Secondary drowning in children”.

Fontes extras consultadas:

What every parent needs to know about dry and secondary drowning

What you need to know about dry drowning

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